"O pensamento deve ser tão livre e extenso quanto o céu, que não prende ninguém, e ainda dá espaço pra que se possa voar."


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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

20 E POUCOS

Por vezes me coloco posta diante do espelho, me deleitando com um banquete de mim. Analiso cada diferença que noto ao longo dos anos e nessa avaliação a principio física, o que salta aos olhos é a mutação psicológica. Olho para o reflexo e o utilizo como uma máquina do tempo - volto para meus quinze anos, para meus sonhos tão possíveis, para minhas frustrações e minhas inseguranças, tantas inseguranças... Comigo, com a imagem que o mundo tinha de mim, com medo de não alcançar meus objetivos: amorosos, físicos, financeiros, intelectuais e tantos outros, que se perderam entre passado e presente. Os anos passam, mas enquanto você se encontra no vórtice atemporal da adolescência muito pouco você evolui com o que passa você apenas guarda e vai guardando, até simplesmente ser jogado na vida adulta, sem uma muda de roupa para trocar e sem aviso prévio. “Atirados aos leões”, deveria ser o título de um filme sobre a vida adulta. As adversidades da vida te golpeiam com mais intensidade, a responsabilidade se torna sua amiga íntima, seus sonhos vão te dando tchau e seus passos cada vez mais lentos. Diante de tudo isso os ganhos existem, mas é como um caça-palavras, apenas para olhos experientes. A verdade é o seu primeiro prêmio, afinal esta é a vida como ela é e você não tem controle sobre a sua vida (ninguém tem), mas aprende a controlar os ímpetos, aprende o que é prioridade e aos poucos aprende a controlar a si mesmo. Diante de tudo que você precisa lidar na vida a opinião alheia é facilmente ignorada, suas contas não são pagas com opinião e seus objetivos dependem de você e de mais ninguém. Você que sonhava em ser rei (rainha) aprendeu a construir fortificações que deixariam um monarca absolutista no chinelo e depois dos 25, para ser exata, você sabe que o mundo tenta te engolir constantemente, mas suas experiências já te fizeram “expert” em armadilhas e você cai se quiser. Aos 20 e poucos você não conhece os caminhos, mas já fez as suas malas e não precisa do aviso de ninguém. 

A. Rodrigues 

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