"O pensamento deve ser tão livre e extenso quanto o céu, que não prende ninguém, e ainda dá espaço pra que se possa voar."


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terça-feira, 31 de março de 2020

MAIS DO MESMO



Um mano me disse que eu tava com ódio, fome
quando escrevi sobre tragédia,
quando escrevi sobre ela, as outras gemeram,
quando chovia e eu jogava,
e pensava que seria um dia astro na Europa,
Falo agora e parece que ainda estou no passado,
Ainda continuo contagiado com o sorriso de Renato,
quando uns morreram e outros foram presos,
fiquei puto!

Porra, por que não me ouviram?
Esqueceram que essa merda não é GTA,
não tem continue nessa vida,
mas têm sempre alguém pra foder a gente,
e nem sempre é de tesão,
as vezes são uns tiros que querem nos dar.

Um mano me disse que eu tava com ódio, fome.
quando escrevi tava com ódio,
mas era só por lembrar que quem eu no passado
ainda tem gente que passa fome.
As vezes o amor visita,
mas quem mora da ponte pra cá é a dor.
Desculpa meu povo,
essa é sobre a raiva que Nigga falou,
hoje é mais um dia que ela consome.

Há um tempo que falam sobre como a estrutura não muda,
o tempo não parou, Cazuza.
E nenhuma vez,
o mais simples foi visto como o mais importante,
Renato.
Disseram que poesia boa são aquelas de linhas reais,
então repensa o mundo, as críticas.
Não me aponta mais o dedo,
dizendo que essas palavras parecem tão iguais.



quarta-feira, 18 de março de 2020

A SORTE E A MORTE




E eu, que fico brincando com a sorte...
Levando a vida como uma montanha russa,
montado numa moto,
sem os dois freios,
pagando de doido
(ou realmente sendo).

Flertando com a morte,
e dizendo que preciso viver muito,
que tenho três gatos pra criar,
uma mãe nervosa,
que nem sabe onde ando,
que me espera em casa todo dia,
e eu volto.

Em tempos de amores líquidos,
beba o máximo que puder deles,
As vezes embebeda, é bom
mas esteja pronto pra ressaca.
Pra quem já quis veneno,
se isso matar, basta.

Se banhe e mergulhe.
Mas nem tudo que líquido é profundo,
se não souber nadar e for raso, melhor.
Melhor tomar cuidado,
há uns tipo âncora;
te levam pro fundo.

sábado, 14 de março de 2020

AOS QUE VIVEM



Imagina o fato:
As balas do genocídio negro e pobre,
são das mesmas fontes,
das que mataram Marielle e Anderson, 

O ESTADO.

Onde quem governa ordena a morte sumária,
temos Ágata e aquela família que não vamos esquecer,
morreram pelo também pelo Estado.
Para advertir pobre e preto: 80 tiros de fuzil!

E se depois de anos, meses,
Ainda escrevo sobre,
é que nos filmes é legal gritar: "aqui é Brasil!"
Mas sabendo do contexto, 

onde eles estão por eles e nós contra uns aos outros.

Ainda há fascistas fardados a mando do Estado,
Caçando e com o dedo coçando,
Pra dar tiro tapa e tiro na cara de preto e favelado.


Na lista das pretas de luta,
dos heróis que morrem na causa,
à família que esperou, esperou
e não os viram voltar para casa.

Aquelas coisas que o estado deixa de lado,
matando que está na frente e quem o enfrente.
Atiram na gente, mas esquecem;
Nos matam (infelizmente),
mas Marcos, Anderson, Ágatha,
aquela família, os meninos com mais de cem tiros,
nossas lutas, a força, a Marielle...
Estarão sempre presentes! 


sábado, 22 de fevereiro de 2020

ELA



Um dia
Duas semanas
Até, quem sabe, mais que isso.
Horas, momentos, lamentos
Dias de sol, praia e vento.
Passado, presente e futuro.
Sobre momentos, para todos,
mas a vida é dela.

Cheiros, bares, sabores.
Contas, tesão, paixão (ou não).
Metade de quase tudo,
ou quase nada.
Sobre confusão,
o que escrevi, pensei e chorei.
Era louco,
mas claro, só ela.

Tudo pra quem teve pouco,
ou quase tudo.
Na verdade,
Era tudo metade, mas era grande.
E eu não menti, 
mas sabia que estava sendo visto errado.
Não era tudo, real.
E o real hoje está cada dia valendo menos,
nessa bolsa, ela é dólar.

Eram cerveja gelada,
e dia de porre, vodka doce.
Nas tardes de parque,
achocolatado.
Coisas que adorei,
até café, que entorpece me sistema.
E para vocês tira o sono,
para mim acalma.
Eram isso aí, ela é essência,
essencial, água.

Ela é boa
De ouvir
De tocar
De lembrar
De viver
De sentir
Outras pessoas também,
porém, é sobre ela.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

As Razões de Um Louco #97 -

 Eu não queria um romance, mais. Eu topei por um fator: amor. E não era algo visivelmente emocionado. Era quase como uma constatação, uma regra matemática com poucas variáveis e um resultado exato. O problema é que eu sou de humanas. Frio, mas humano. Era tão nós, e eles pareciam cegos, algo que não desataria tão simplesmente. E não desataram.

 E quem entender vai ver que nunca desatam. Que certas feridas não fecham, eu era cura, as vezes. Mas de resto, doença. Daquelas que deixa de cama, as vezes pelo prazer, as vezes pelo amor, mas também pela dor, saudade. 

 Quem vai entender a vida depois de ter renascido para alguém, e ter deixado de viver para a outra pessoa viver seus sonhos, mesmo que não seja com você? Quem vai me perdoar, mesmo sabendo que nem eu me perdoo até hoje, eu vivo, mas se alma existisse como forma real, a minha estaria olhando para o mar e sentindo saudades de quando era viva. 

 1 ano, depois de vinte e sete são suficientes para entender sobre o que era importante. Apesar de as vezes parecer frio, aqui dentro tudo é quente, como a comida mais gostosa, e qualquer culinária lembra que a comida nem vai ter aquele mesmo sabor, a não ser que eu esteja novamente anestesiado pela droga do amor. 

 Ninguém entendeu quando estava doente e não fui ao médico, nem quando tive fome não consegui comer nada. Nem quando senti saudade e não surtei, atravessei meio mundo e matei a mesma. Mas eu entendo. As vezes que me tranquei e quis definhar aos poucos. Era Oásis, hoje apenas um deserto e ainda vivo das miragens. 

 E não tem Baby, Perfect... Mas, Te vi na rua ontem, e um resumo disso tudo, seria a Música mais triste do ano. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Presciosa

É que eu tive pensando,
em te ver, e se tiver chance,
tive pensando...
E nem pensei tanto,
além do teu sorriso fácil,
jeito simples.
De quem estava "aqui",
mesmo aí,
e sorria como se fossem anos, aqui.

É que eu estive pensando,
e eu nem parei pra pensar,
se imaginei o suficiente para querer,
sonhar, delirar,
ou apenas mexer com a mente.
É que a imaginação é fértil,
e nesse deserto que sou,
as vezes doente,
Sobre sorrir, você chega e eu, rio,
oásis.
Em dois segundos,
minha mente e a tranquilidade fazem as pazes.
E eu nem pensei, tanto.
Eu só de pensar no momento,
e o perfume for marcante,
o toque alucinante,
o sorriso, contagiante,
tipo feitiço, eu caio, tonto.
Guardo a mágoa,
deixo o que há de ruim de canto.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

POESIA MUDA



Disseram que era uma mistura de putaria,
erros de português e RAP.
Eu pensei em fazer algo bom, 
era só por hobbie
E descobri que o que é bom vende, 
e querendo ou não, compram.

Que linhas desconhecidas não mudam o mundo,
e eu falava alto, mas me ouviam tipo um mudo.
Que até o Papa é pop,
que se fosse menos crespas,
mais superficial, vendesse felicidade,
seria mais "top".

Trocaria o talento pelo alívio dos meus.
Os meus, que não são meus,
mas gosto de me incluir em algo,
dizer que sou parte dos seus.
Dizer que essa parte é nossa,
dizer que nosso trabalho virou.
E virou festa na quebrada,
e nossa testa nunca mais trombe uma quadrada.
E que nossa fé,
nunca mais seja roubada.

É que a gente desconfia quando tudo está bem,
acostumado com a merda até o pescoço.
Estamos no mesmo local,
indo pro abate, pronto para virar estatística,
com muito esforço morreremos como exemplo,
sonhos lindos ficaram apenas no esboço.

Alcides está aí de exemplo,
um outro fodido, que veio da lama o matou.
E a matéria bonita, do diamante que veio da lama,
se transformaram em dor, revolta, drama...
Agora reler tudo numa batida tipo racionais,
e fala sobre preto correr dez vezes mais,
que sobrevivendo no inferno é real,
que a maior subjetividade aqui é a paz.

Mais de trezentas letras erradas, sem som.
daquelas que não se canta das rádios,
não enriquece os pretos.
Não! Não vem me dizer que é choro.
Ontem chorei e vocês não estavam lá,
e a gente sempre pedia socorro.
Hoje nas letras, na vida, é mato ou morro.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

O homem mais perigoso da cidade



Tipo;
sonhos
sons
respirações
inspirações
emoções...

Coisas que as vezes nem vemos,
motor que nos leva,
aquela brisa que bate,
fazendo a gente querer corpos,
tipo beijos, taças, brindando.

E eu queria ser paz,
esqueci que era caos
e que a calmaria
após a tempestade,
releva as marcas da distribuição.
munido de amor,
sou o homem mais perigoso da cidade.

Aquele olhar é uma arma pra mim,
e isso faz o "homem perigoso",
desarmado, e a contra gosto,
desalmado,
e com aquela arma apontada pro rosto.

Corria a mil por hora,
por hora, pagaria mais de mil por você.
Era depois, talvez, uma vida,
e eu era tudo agora.
E por necessidade,
você era desejo, quem sabe.
Eu era complexo,
em duas horas sem resposta,
ansiedade.

É sobre a calmaria,
inspirações,
emoções...
Mas se sentimento é tempestade,
e se era ali, comigo
o rei do meu pequeno,
armado e mal amado,
perdi a majestade. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

PAPAI



Professor
Mestre
Ensinou
Mostrou
Com carinho e dor
Seguiu
Voltou
Ficou...

O campo
A bola
O rádio
A atenção
A saudade
Os abraços
Faltaram...

Crescemos
Vivemos
Sobrevivemos
Exemplos
Bons e ruins
E o menino olhava da janela
Que espera longa era aquela
Hoje não precisa esperar mais
Tamo junto!
Papai...

NÃO É MAIS UM PEDIDO DE SOCORRO



E parecia fome de saudade
E cada choro na praça era salgado
E eu curtia o sonho,
Era doce, então essas lágrimas, agridoce.
Já até senti fome,
engoli.


Matei a fome que tenta me matar todos os dias,
com metade da capacidade,
da Silva, não Senna.
Morrer herói em rede nacional gera gigantismo,
Mas eu, mais um Silva.


Geraria uma busca por antecedentes criminais, 

meia dúzia no velório, 
o fim da poesia, 
luto eterno de uns dias, pena.

Alguns queriam a vida após a morte
Eu, uma fé tão forte,
pra não se sentir morto em vida.
Como se cada felicidade, fotos, fodas e praias.


Mostrassem porquê tanto corro;
é que quando eu paro, eu morro.
Felicidade utópica, tipo igualdade de classe.
Tudo que leram, era um pedido de socorro.