"O pensamento deve ser tão livre e extenso quanto o céu, que não prende ninguém, e ainda dá espaço pra que se possa voar."


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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Coleira

E que eu avisei que ia dar merda,
que era eu ia ter trauma
Que era intenso e marcava a alma,
Que a foda era louca e a brisa era calma.

Estilo cachorro
ela era pet shop
Eu era de rua,
e ela queria adotar.
Mas meu mundo é caos,
eu cansei de avisar.

Tentou a sorte e viu que não é Airsoft,
Viu que eu era bom de tiro,
De foda
De rima
De oral
E quis me amarrar,
mas era isso e aquilo,
Adoro teu abraço,
mas sou demais pro teu quintal.

Falou que era bandida,
mas que perdia a pose comigo,
Né que você perdia,
é que eu sou mais ligeiro e te tomava,
E tu nem percebia.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

A última bosta da vida

Falaram que viam dor e sofrimento nas palavras
E que as palavras só refletem sentimentos
Então talvez agora tu entenda que não é moda escrever sobre lamento.
É que eu tava sofrendo, e ainda vejo o agora como ontem, vai vendo.

2021 é só outro nome pra anos que já aconteceram
Ou você acha que mudou por uma data?
Você acha que o "novo normal" é diferente do velho habitual?
É clichê demais falar que tudo vai ser igual ao que sempre foi
Que nos vestimos de hipocrisia e nos vestimos como tal.

É que de longe pareço raso,
de perto, profundo e denso demais.
Águas limpas, mas escuras igual a minha pele.
E não te convidei pra mergulhar,
não garanto que não gele,
aqui até eu me afogo,
aqui, nem eu consigo me salvar.

Aquela pessoa de janeiro ainda se parece com essa que escreve,
Com mais cabelo
Mais dúvidas do que certezas,
Isso serviu pra entender que o plano mais viável é não morrer.
Chutado, eu fui mais ninja 
tive que fazer o de sempre, correr.
Mas não como sempre; fui pra cima.
A mesma sina
Buscando ouro, eu outras minas
Regando os planos sobre grana
Juntando os manos e bolando trama,
Mantendo aqui quem ainda me ama,
Ainda escrevendo como dor, não como fama.

Desculpa se você é novo e chegou aqui esperando um texto sobre aprendizado.
Todo dia se deve aprender, 
Tropeçar te leva pra frente,
Mas ainda dá pra ir passo a passo.
E sobre o passado, falo de minutos atrás.
Vou lavar as roupas sujas que tenho comigo,
Para que ano que vem eu sofra menos,
Que eu retroceda menos, e pauta "progresso" seja mais eficaz.
Pra que sobreviver deixe de ser a regra,
e estar pleno seja o novo normal.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Um filme

E se essa vida fosse um filme...
Eu não sei se seria o herói,
primeiro que eles são sempre brancos,
Preto é aquele que se fode e fica chorando de canto.
Sendo o craque do time, senta no banco.
"Ou você virá herói ou te massacram até você virar vilão"
Isso está tão enraizado, e nos vemos revoltados, apesar de anestesiados pela dor.

Se essa vida fosse um filme...
Eu iria querer ser vilão!
Desculpa. É isso.
Se nem vendo um Deus negro somos o protagonista.
Se nossos deuses são demônios pra vocês (e muitos de nós).
Seria vilão. 
Daqueles que amontoa quem nos escravizou em navios "branqueiros".
Se valem mais que nós, 
A gente não vale nada e visse-versa,
alimentar os peixes com vocês ia ser lindo.
Chamem de colonização reversa.

Se essa vida fosse um filme...
Seria nacional!
Daqueles que tem muita realidade, 
mas que falassem de pretos e periféricos felizes.
Com vitórias normais,
Sorrisos do início ao fim
Protagonismo tão normal quanto a realidade hoje,
onde a gente anda na rua com fome, e fica triste por ver gente morando na rua, 
Na pior. 
E nos julgamos ingratos por não conseguir salvar o mundo.
Mas esse filme era sobre ser feliz.
E a nossa tragetoria seria sensacional!

Se eu escrevesse esse filme,
seria tão mágico que quem quer nossa derrota ia me chamar de bruxo.
Seria algo sobre ter onde voltar, 
um abraço para morar
risadas para compartilhar
bons momentos para lembrar
não ver os irmãos morrerem de fome
Essa é a minha ideia de luxo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Todo ano isso

Exploraram 
Mataram
Nos sufocaram em navios 
Criaram guerras em que nem lutaram,
Falaram que éramos inimigos,
Tipo Ruanda, assim, nos matavamos.

Demonizaram nossos deuses,
Tentaram matar nossos costumes,
Dor de preto é o normal,
É que nem alma a gente tinha,
ter dono era o habitual.

O olocausto deve ser lembrado,
Mas dor de preto não
Somos iguais irmãos
Desarma essa fala
Pra quê cota?
Isso ficou no passado
O que o mundo precisa é de consciência humana.
A gente esperava consciência quando morria nos porões.
Os portugueses nem pisavam lá,
os negros entregavam os outros negros. É sério.
Sobre consciência humana;
é algo que eles nunca tiveram.

A gente precisa ser Djonga, fogo nos racistas.
E Hamilton, corre e representa nas pistas.
Disposto tipo Renato, Alisson e outros manos, 
E nas ruas que a gente anda, 
estar certo pra não ser mais um Silva,
e que o PM preto nos ame, igual Emicida.
E que a vitória seja tão normal e a gente chame de vida.

Tão leve que a gente nem lembre das cicatrizes, esqueça o que é ter feridas.
Lembrar que é nós por nós,
eles não vão ligar
Já viu eles chorar pela cor do orixá?
Séculos depois, nossas referências são poesias,
e a gente ainda sente na pele esse preconceito velado no dia a dia.
Cicatrizes profundas.
Séculos na merda, 
e ainda insistem em não limpar essa bunda.




segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Hipócrita

Eu gosto de tatuagem e não tenho uma
Eu amo ser amado e não posso te amar
Eu estou bem como estou
"Sou vagabundo".
Ele não,
Ele está onde deve estar.

Eu estou onde queria estar,
Mas ele, não.
Ele queria estar onde o abraço afaga,
e eu metido e meter sem parar.
Dormir e acordar num lar, 
sobre navegar e ter onde aportar.
Eu, vadio, querendo saber a próxima vez que vou me drogar.

Entender sobre isso e estar assim,
Talvez o remédio da hipocrisia seja entender que ela existe, e aceitar.
Eu que de tanto perder sem ter nem chance,
Fiz de tudo para estar errado,
Provei que ninguém mais além de mim pode me machucar.

Ele queria estar lá.
Eu queria uns pegas, 
duas cervas,
Umas fodas,
E tudo mais de gostoso que a vida pode dar,
aquelas coisas que não estão lá quando você acorda.
Tipo um sonho que você sentiu na pele.
Ele só queria a rede e a vontade de ficar

sábado, 31 de outubro de 2020

Vida

O nome gatilho é pertinente
A cada novo eu escrevo como se fosse a última vez,
Choro como sempre,
Bebo como nunca,
Ou quero descansar, 
Nem falo sobre dormir,
É sobre adormecer a mente,
Ir.
Se é que entendem.

Caminhar e querer ver beleza,
E viver entre a beleza do mar,
Prostitutas nas esquinas, sem saber se consegue a grana pra casa.
Gente sem casa, vivendo em marquises.
A gente só queria um rolê massa,
mas ainda lidamos com a verdade,
e ela nem sempre usa maquiagem.

Sobre mais uma verdade escrita,
Mais do mesmo sobre a mesma vida,
Tem gente que luta pra ter um carro,
sobre quando será a próxima viagem.
Uns só querem que não chova, a casa sem telhado,
E o questionamento;
Quando vai ter novamente comida?

Eu me questio se o que tenho é sofrimento,
Se esse lamento é vazio,
ou se é mais um jeito de me culpar por estar mal,
Calar e conversar comigo, só.
Cortar os pulsos,
Pois não resolvo meus problemas,
E nem sei se eles são realmente,
a prioridade é outra, "têm gente pior".


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Bem - Aleatório Necessário #12

Autoestima é algo que poucos entendem, talvez, eu nem entenda também, mas sigo nomenado o que acho e classificando as coisas como entendo, até de fato conhecer. Hoje eu acordei com a parte boa do passado na mente, como músicas que nos levam à um momento confortável da vida, onde especificamente naquele recorte, estava tudo tão bem. 

É sempre o mesmo rosto no espelho, a mesma cara nas fotos, até as poses são iguais, e têm dias que eu não suporto me olhar, e apesar de querer uma aceitação das pessoas, nada disso adianta neste momento.

Não era sobre beleza, apenas. Escrevia como nos outros dias, e me sentia artista do mais alto nível, mesmo quando o público não entendia o que eu queria dizer, e questionava aos outros; "Renato escreveu Pais e Filhos, vocês não entenderam ainda e mesmo assim reconhecem a obra de arte dele, porque não entendem a minha?" Aí notei que se não fosse só por mim, haveria mais dias em que eu odiaria tudo que eu tava fazendo.

 A montanha russa de emoções que eu vivo talvez seja algo necessário pra que eu não me veja morto em vida, já que minha intensidade normal está se transformando numa frieza, em que o bom e o ruim não me movem, não me dói e nem me deixa empolgado.

 E no fim, não sentir nem os momentos adversos se torna algo ruim. Se não existe separação sobre, como vou estar feliz se não saber diferenciar? O novo normal da minha vida é não querer ter planos para a vida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

PUTO

Eu sei que saiu bem se conservador ficar puto!
Eu sei que vai explodir a cabeça deles e essa é a meta
Eu não ganhei nada odiando quem quer nossa morte.

É que eu não escrevi a real pra vender, não sou prostituto
Mas se a ideia chegar onde importa e trouxer meu pão,
Vai ser talento,
Diferente de quem ganhou de herança o que diz que foi por mérito.

Quando lembrar da gente, eu vou fazer de tudo pra ser diferente do pretérito,
Sobre o futuro; quem nos ataca eu desejo sorte.
É que preto morre todo dia,
E logo mais chega o dia do descanso.
E de fato uma ideia não morre,
e eu deixei a minha pra que ela mate que tenta barrar nosso avanço.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Atualmente

Sim, ando seco
Mas não é de sede,
Ando bebendo.
É que a fonte não é a mesma,
Sem mágoa,
Ando vivendo.
Quer dizer, corro
Vivo correndo.
E onde quer que eu passe,
Sigo aprendendo.
E parece que no papel nada muda,
E sobre esquecer;
Ando esquecendo,
De esquecer.
E se nada for escrito, ta bem.
Sobre amor, também.
É que nada mudou,
há poucos "poréns".
Se eu me calasse,
A mente parace
Minha prece já foi feita.
Morada é oásis,
Amém.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

1991

Parecia algo especial, roteiro de filme
dor, preocupação e ainda bem que tudo deu certo no final.
Isso era o antes, 
e logo depois de 5 paradas, 
mainha entendeu que a parada ia ser dura. Tanta dor que o que cobre uma após a outra nem sempre é paz,
as vezes é outra dor que vem como cura.

Tinha nada nesse mês, além de uma falsa independência,
2001, 11 foi tragédia, 
Aí pensaram; "esse mês é foda, e tá vago, vamo colocar que nos preocupamos com a vida?"
Uns se importam, outros nos matam,
depois vão no nosso enterro.
Tipo teatro, não era real
eles jogam pra plateia.

Só a mulher entende o machismo, 
sei disso, pois só o preto entende o racismo.
Eu lembro de querer ser branco, de me chamar de moreno,
De como os moleques reproduziram aquilo tão bem,
E passou de inveja pra vontade de matar todos.
Ainda bem que eu cresci,
e isso eu trouxe desde ali,
ainda quero matar todos os racistas
Amém!

E quem estiver real com vocês; cuidem.
Sobre quem tentar te ferir; revidem.
Vai ter gente pra te iluminar; enxergue.
E se você amar e puder dizer isso; não negue.
E se lutar for tudo que resta; não se entregue.
E se eles tentarem seu fim; recupere.
O que pra você for muito real; não negue.

Não era sobre amor,
Tesão
Ódio
Tensão.
Era sobre o primeiro dia,
quando ela respirou e se manteve viva,
E eu lembro disso, sempre que quero deixar de viver.