"O pensamento deve ser tão livre e extenso quanto o céu, que não prende ninguém, e ainda dá espaço pra que se possa voar."


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sábado, 31 de outubro de 2020

Vida

O nome gatilho é pertinente
A cada novo eu escrevo como se fosse a última vez,
Choro como sempre,
Bebo como nunca,
Ou quero descansar, 
Nem falo sobre dormir,
É sobre adormecer a mente,
Ir.
Se é que entendem.

Caminhar e querer ver beleza,
E viver entre a beleza do mar,
Prostitutas nas esquinas, sem saber se consegue a grana pra casa.
Gente sem casa, vivendo em marquises.
A gente só queria um rolê massa,
mas ainda lidamos com a verdade,
e ela nem sempre usa maquiagem.

Sobre mais uma verdade escrita,
Mais do mesmo sobre a mesma vida,
Tem gente que luta pra ter um carro,
sobre quando será a próxima viagem.
Uns só querem que não chova, a casa sem telhado,
E o questionamento;
Quando vai ter novamente comida?

Eu me questio se o que tenho é sofrimento,
Se esse lamento é vazio,
ou se é mais um jeito de me culpar por estar mal,
Calar e conversar comigo, só.
Cortar os pulsos,
Pois não resolvo meus problemas,
E nem sei se eles são realmente,
a prioridade é outra, "têm gente pior".


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Bem - Aleatório Necessário #12

Autoestima é algo que poucos entendem, talvez, eu nem entenda também, mas sigo nomenado o que acho e classificando as coisas como entendo, até de fato conhecer. Hoje eu acordei com a parte boa do passado na mente, como músicas que nos levam à um momento confortável da vida, onde especificamente naquele recorte, estava tudo tão bem. 

É sempre o mesmo rosto no espelho, a mesma cara nas fotos, até as poses são iguais, e têm dias que eu não suporto me olhar, e apesar de querer uma aceitação das pessoas, nada disso adianta neste momento.

Não era sobre beleza, apenas. Escrevia como nos outros dias, e me sentia artista do mais alto nível, mesmo quando o público não entendia o que eu queria dizer, e questionava aos outros; "Renato escreveu Pais e Filhos, vocês não entenderam ainda e mesmo assim reconhecem a obra de arte dele, porque não entendem a minha?" Aí notei que se não fosse só por mim, haveria mais dias em que eu odiaria tudo que eu tava fazendo.

 A montanha russa de emoções que eu vivo talvez seja algo necessário pra que eu não me veja morto em vida, já que minha intensidade normal está se transformando numa frieza, em que o bom e o ruim não me movem, não me dói e nem me deixa empolgado.

 E no fim, não sentir nem os momentos adversos se torna algo ruim. Se não existe separação sobre, como vou estar feliz se não saber diferenciar? O novo normal da minha vida é não querer ter planos para a vida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

PUTO

Eu sei que saiu bem se conservador ficar puto!
Eu sei que vai explodir a cabeça deles e essa é a meta
Eu não ganhei nada odiando quem quer nossa morte.

É que eu não escrevi a real pra vender, não sou prostituto
Mas se a ideia chegar onde importa e trouxer meu pão,
Vai ser talento,
Diferente de quem ganhou de herança o que diz que foi por mérito.

Quando lembrar da gente, eu vou fazer de tudo pra ser diferente do pretérito,
Sobre o futuro; quem nos ataca eu desejo sorte.
É que preto morre todo dia,
E logo mais chega o dia do descanso.
E de fato uma ideia não morre,
e eu deixei a minha pra que ela mate que tenta barrar nosso avanço.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Atualmente

Sim, ando seco
Mas não é de sede,
Ando bebendo.
É que a fonte não é a mesma,
Sem mágoa,
Ando vivendo.
Quer dizer, corro
Vivo correndo.
E onde quer que eu passe,
Sigo aprendendo.
E parece que no papel nada muda,
E sobre esquecer;
Ando esquecendo,
De esquecer.
E se nada for escrito, ta bem.
Sobre amor, também.
É que nada mudou,
há poucos "poréns".
Se eu me calasse,
A mente parace
Minha prece já foi feita.
Morada é oásis,
Amém.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

1991

Parecia algo especial, roteiro de filme
dor, preocupação e ainda bem que tudo deu certo no final.
Isso era o antes, 
e logo depois de 5 paradas, 
mainha entendeu que a parada ia ser dura. Tanta dor que o que cobre uma após a outra nem sempre é paz,
as vezes é outra dor que vem como cura.

Tinha nada nesse mês, além de uma falsa independência,
2001, 11 foi tragédia, 
Aí pensaram; "esse mês é foda, e tá vago, vamo colocar que nos preocupamos com a vida?"
Uns se importam, outros nos matam,
depois vão no nosso enterro.
Tipo teatro, não era real
eles jogam pra plateia.

Só a mulher entende o machismo, 
sei disso, pois só o preto entende o racismo.
Eu lembro de querer ser branco, de me chamar de moreno,
De como os moleques reproduziram aquilo tão bem,
E passou de inveja pra vontade de matar todos.
Ainda bem que eu cresci,
e isso eu trouxe desde ali,
ainda quero matar todos os racistas
Amém!

E quem estiver real com vocês; cuidem.
Sobre quem tentar te ferir; revidem.
Vai ter gente pra te iluminar; enxergue.
E se você amar e puder dizer isso; não negue.
E se lutar for tudo que resta; não se entregue.
E se eles tentarem seu fim; recupere.
O que pra você for muito real; não negue.

Não era sobre amor,
Tesão
Ódio
Tensão.
Era sobre o primeiro dia,
quando ela respirou e se manteve viva,
E eu lembro disso, sempre que quero deixar de viver.

domingo, 30 de agosto de 2020

As Razões de Um Louco - 98

Não se trata de quantas vezes eu voltei,
era sobre as vezes que eu não quis ir.
E digo; eu nunca quis.

E me dava gatilho e eu queria atirar.
Eu parei de seguir,
Parei de olhar,
Parei de procurar no presente,
algo passado.

Eu queria dizer que sinto falta,
as como algo distante...
As vezes como se fosse ontem.

Gostaria dizer que as vezes parece que algo em mim se foi,
todas as vezes que eu tenho negado.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Sensação

Ela é doce,
eu sou doente em por ela
Incurável.
Ela é pólvora, mel
eu sou um pobre diabo,
querendo morar no céu.
Ausência que fere,
e nada cura essa ferida,
ela é doce
e eu tenho diabetes.

Sobre sons que gosto, 
Aqueles que me deixam nervoso e tranquilo
A respiração ofegante de quando ela senta, 
E quando ela dorme,
aquela suave ao pé do ouvido.

O toque e som dos corpos agitam e acalmam, tipo o mar.
E fez o filho da Deusa querer morar,
imagina um mero mortal como fica?
É droga, elevada à maior potência,
e pedaço do céu, daquelas que faz até ateu orar.

Se era fácil antes,
imagina agora depois de me viciar?
São tantos detalhes,
e eu aventureiro adoro ter que explorar.
É caminho de sol, praia
aquelas sensações que as vezes temos de frente ao mar.
Eu todo apressado,
contando os passos
parei para apreciar.

domingo, 16 de agosto de 2020

Velho normal

Perspectivas são cruéis, as vezes
cobrir o que está manchado com cortinas,
papéis de parede.
Repetir pra mim que isso vai dar certo,
sendo que a rotina é dor
felicidade, as vezes.

O novo normal é velho.
E que há de novo,
são as velhas surpresas.
Velho hábito de achar que somos o centro,
brindando enquanto fingimos que nos importamos.

O novo normal são números,
não corpos.
E já são tantos que deixaram de ser pessoas.
São só dados.
Iguais os de pretos mortos pelo estado,
Mulheres estupradas,
Gays assassinados...

No novo normal,
humanos contam corpos
enchem copos
E se morrer tudo bem,
um dia todo mundo vai pro além,
e além disso; quem sou eu pra falar?
Se nem de mim eu cuido,
nem deveria cobrar que se cuidem também.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Linha do tempo

Estava pensando aqui neste momento em que escrevo, no quanto a saudade que sentimos de alguns momentos bons da vida que já passaram, não são a ausência de uma felicidade nesse momento. E que talvez estejamos cegos por isso, e nem conseguimos ir à um novo momento feliz, por estarmos presos ali. Detecto isso ao mesmo tempo em que ainda busco rememorar o que passou. Enfim, a hipocrisia.

 "É tipo querer descansar e continuar de pé". Admiro quem consegue superar os bons momentos, isso faz com que haja espaço para novas sensações, novos bons momentos. Lamento, mas eu ainda não aprendi. E ainda vejo que a maioria não sabe.

 Há um tempo que tudo que escrevo me leva ao passado, ou só me deixa claro que eu ainda não deixei ele, e ele ainda é o presente. Como resignificar as coisas que ainda estão aqui? É como se o espaço que parecia vazio fosse uma linha temporal da qual eu ainda vivo as mesmas coisas boas e ruins de três anos pra cá.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Rotina

Não esteja aqui em momentos maravilhosos se você não for estar aqui para fazer ser perpétuo. Eu não saberei lidar com a ausência disso.

Talvez só assim não renderei dias da minha vida escrevendo sobre alguém que não quis mais estar aqui, como nesse momento. O mais difícil de se deixar de lado, mais que os sonhos e planos, é a rotina.

 Eu sei que já escrevi sobre, mas, sei lá. Parece vício em droga sintética, você delira e vê o passado, enquanto passa nos locais onde viveu aquilo. E até a comida tem sabor de saudade.

 Quando Cazuza cantou sobre ter a sorte de um amor tranquilo, ele não levou em conta que até um amor tranquilo deixa marcas irreversíveis quando se vai. Dias ruins marcam. Dias maravilhosos, marcam mais ainda.