"O pensamento deve ser tão livre e extenso quanto o céu, que não prende ninguém, e ainda dá espaço pra que se possa voar."


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quinta-feira, 23 de julho de 2020

FODA

É que a vida tava foda
E tu disse que era foda
Eu falei que ela é tão foda que aprendi a foder com ela.
Tantas emoções,
relação abusiva.
E tu pediu pra te ensinar como se fode como a vida.

E ela fode até gostoso as vezes
e as vezes me fodo sem prazer, atrás do gozo.
E gozar da vida parece arte,
mas se foder sem prazer ainda faz parte.
Eu escrevia mais do que fodia.
Quer dizer, me fodia sem tesão
Morria de vontade, querendo, na mão.

Eu tava pronto pra te mostrar como se faz,
Sobre querer fazer sem olhar o que passou.
Essas de fode até de manhã e depois a gente vê como que fica.
Mas como que fica se eu quiser mais?

É que tá foda, essa vontade.
A vida sempre foi.
Pode perceber;
A vida se conta em vezes que ela nos fodeu, e queremos deixar pra lá.
Fodas que planejamos, e queremos pra depois.
E as espetaculares; 
Que queremos entre nós dois.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Fraco - Aleatório Necessário #11

Fraco. Era assim que eu me sentia todos os dias quando acordava. As lembranças sobre isso apareciam em flashs durante o dia, e nem sempre meu cérebro tinha capacidade de contornar isso e trazer bons pensamentos. Nem sempre eu ia dormir forte. Nem sempre eu gostava de acordar.

Várias vezes me perguntei o quanto era fraco e quanto eu suportaria tudo isso. Sobre escolhas; a de não me matar eu tomei há tempos, só preciso me convencer a querer viver. Aquilo sobre querer ter mais dias que me façam querer estar aqui.

Entre anônimos e amigos, quantos passaram para ouvir isso, e todos saíram sem saber o que fazer? Bom, todos. Mas estar próximo ajuda a querer algo que não seja viver em estado vegetativo. Eu não me matei, talvez, por não me sentir mais vivo.

E sobre se fraco, talvez essa seja uma grande prova de força. Se conseguir manter a sanidade e ter dias que quero lutar são mostras de reação, sou forte. Não todos os dias, todo o tempo do dia, mas sou. Hoje mesmo estive no fundo do poço duas vezes, e tive que sair sozinho.

Pesadelo

Festival de sonhos e eu aqui acordado tendo pesadelo.
Mas se o pesadelo é meu, por que existe apenas medo?
Se eu sou velho, irresponsável, por que ainda me chamo de menino?
Deve ser porque os traumas que eu trago,
estão aqui desde sempre.
As vezes é foda, só dor
As a foda é gostosa,
E eu permaneço indo.
 
Eu tava acordado e não escrevia nada,
mas dormindo eu lembro tudo,
mesmo que aqui eu fale e fale e pareça que eu sou mudo.
Escrevi de homem, sobre um menino,
as vezes não estou em mim, mas o CEP onde chega às contas ainda é esse aqui!
O mundo é trágico e feio,
O mundo é belo e gostoso.
Mas eu volto pois tudo que o menino gosta ainda está aqui.

 Parecia síndrome de Peter pan,
Pô, eu sou negro e ando vivendo pro menino não morrer igual a Ágatha, Pedro e Marcos Vinicius.
Saindo com todos os documentos, o número de um tio na agenda pra ajudar.
Menino conta espaços vazios,
seja por que foram ou por terem nos tirado.
Diferente do Peter pan, somos homens desde os 6 ou 7.
Querendo ou não, isso é o que nos tem reservado.
Além de descuido, violência, falta de estado...
que só nos alcança com arma nas mãos e as balas de um fardado.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Choque

Eu jurava que tinha morrido,
e acordei com essa sensação.
Tive que conviver com a perda diária da vontade de viver.
Sem me matar,
me sentia no inferno
E no fundo deve ser isso;
Estar aqui e todo dia me assistir morrer.

Eu queria estar aqui comigo
Mas nem eu me suporto
e deve ser isso:
Ninguém quer ser amigo de um depressivo.
Sobre energia, e nem sempre a minha é das melhores.
É verdadeira, forte!
Mas é igual suicídio: CHOQUE!

Que não me sufoque,
igual a máscara que uso pra fingir que me importo em viver.
É sobre não falar de problemas pra ver se eles somem
Foque!

Sorte!
É minha fé,
para que as linhas sejam aqui, não nos pulsos.
E que eu pense nos dias de praia, amizades, sonhos...
Apesar de achar que estou numa versão resumida da morte.

Padrão

Eu queria escrever diferente.
Juro. 
Queria escrever sobre a glória do preto.
Que a favela vence sempre
Que o tabu virou padrão
Que o padrão seja estar no topo.
Que voltar para casa vivo não fosse o alívio do dia
Queria escrever sobre ter chegado lá
Mais ainda, queria escrever sobre como todos podem chegar.

Eu queria escrever sobre uma lembrança que não fosse dor
Sobre dias bons como dias comuns
Que preto na vala, 
os que levam tapa na cara,
não fosse contados como apenas mais um.
Eu queria escrever sobre os sonhos que tive,
Mas na primeira vez que tentei,
eu morri.
E quem me leu antes entendeu que já foi.
Nem eu, nem a favela mais vive.

Sobre compartilhar lembranças,
hoje elas são cruéis.
E é incrível como contamos as felicidades nos dedos,
Sem saber se elas foram menores,
ou por entender que as dores são tão maiores.
Eu queria dizer que está tudo bem,
igual venho me repetindo quando me disseram que ninguém gosta de gente que está sempre triste.
Eu não sabia que ser feliz era escolha.

E eu me repeti isso até parecer estar.
Queria dizer que me amo, 
mas todas as coisas que eu sou, sou errado.
Disseram um dia que preto era ponto de referência, não padrão.
E tudo que sou é menor, 
eu sei que não,
mas se todos tratam como se fosse,
eu me repetia todos os dias pra ver se passava a me amar.
Pouco mudou.
Hoje eu não só me odeio, como todo o padrão eu passei a odiar.

Pra não dizer que eu não falei dos nós

Pra não dizer que não falei das flores,
Lembrei delas quando me enterrei,
velei a mim semana passada
E velejei sozinho como se tivesse morrido.
Era dor, a física foi abafada pela emocional,
e eu que amo tanto,
sofria a ponto de esquecer dos amores.

Pra não dizer que não falei dos amores,
falei sobre todos eles, 
e que eles livres voam
e as vezes não valtam mais.
Fui feliz, pois amei a felicidade
mesmo não sendo o fio condutor dela.
E sofri, pois o mesmo amor é egoísta.
Como não fui capaz, deixei tudo ir.
Mas o abraço era forte na despedida,
como se dissesse; 'fica um pouco mais aqui'.

Pra não dizer que não falei.
Entre lágrimas, eu disse
E no fim das contas era sobre nós,
e quanto faz sentido essa palavra.
Nós nos deixa firmes, seguros
São ruins de desatar, se bem dados
Sobre nós, pessoas; 
somos ruins de nos deixar.
E eu falei, e sempre que for eu,
Leia; é sobre flores, amores, nós.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

12 de Junho

 Nem sou eu que sinto saudades. Tudo bem do jeito que está, pra mim. Só estou tentando convencer as coisas ao meu redor do mesmo. Elas não conseguiram assimilar a ausência.

A moto sente falta da garupa, aquela garupa. Que ia à todos os lugares possíveis. Sente falta de ir à praia, de pegar a maior chuva pra deixar ela no trabalho. 
 
E a cômoda? Sente o maior vazio, com o espaço do porta retrato que não está mais lá, passando a se sentir sem função, sentido. Afinal, é para isso que serve, né? Ter todas as coisas urgentes do dia a dia ali a mostra.

 Eu tô bem demais, mas meu oufato, não está tanto... Ele vive confundindo os cheiros, pois vive buscando aquele que sempre estava aqui

 Eu tô muito bem, obrigado. Mas os detalhes das coisas, as cores aqui desse local já não estão tão boas assim. Acho que eles sentem falta de alguma coisa.

Hoje eu até conversei. Sorri com as pessoas e recebi memes. Mas meu celular não parece muito bem, sem áudios gigantes e as fofocas mais aleatórias possíveis. É como se eu não precisasse mais usar... Como se os números e nomes sentissem falta de algum contato.

 Eu me alimentei. Mas é como se só aquele caldinho me alimentasse bem. Por isso passei mal, deve ser meu estômago sentindo falta disso...

Eu tô bem, de verdade! Mas o que me cerca sente falta de um abraço, tipo casa. E eu me sinto um morador de rua. 

 Sigo, apesar da saudade que meus sonhos têm de ter uma razão, propósito. Eu tô bem, apesar da vida e da sua vontade sentirem falta disso e de outras coisas.


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Drop



Vish... Era isso que eu pensava
Antes de provar do veneno.
Um super homem foda,
e a cada momento, feliz!
Como menino pequeno.

Vish... E via a cada momento 
Gemido soava igual música boa de se ouvir,
igual barulho de mar.
Paz, apesar de forte, e quente.
Gostoso e refrescante,
Igual o som do vento.

E tava forte, mesmo leve.
sobre essas coisas que apesar das palavras,
pouco se descreve.
Carnaval nas ladeiras de Olinda; calor e aquele sobe e desce.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Convivência - Aleatório Necessário #10

 As vezes corri pra todo lado e eu consigo entender bem porque, criar raízes é bom, mas um dia a árvore vai ser cortada. Se desfazer do costume, do conforto, do abraço é algo que eu não aprendi a lidar. Coisas como contar como foi o dia, falar das coisas boas e ruins, mandar memes e dizer que vai ficar tudo bem.

 Debater os assuntos atuais, compartilhar uma sons, entender que RAP é foda, odiar o Presidente e falar sobre tanta coisa... A vida têm disso. 

 Minha pretensão era isso, e sonhar tão baixo não parece ser bom. Eu só estava respirando automático e me sentindo vencedor por voltar vivo pra casa. Eu nunca quis me despedir de nada disso, deve ser por isso que amava, mas era platônico, meu, apenas meu. De agradecer sozinho ter essas enormes pequenas coisas que fazem a vida ter sentido.

 Eu amava sentir as saudades que eu poderia matar, lembrar das coisas boas e saber o quanto fez e faz bem. Outras são uma caixa com muitas coisas significativas das quais eu não posso mais viver, apenas fechar e guardar em algum lugar.


sábado, 16 de maio de 2020

Bem




Bem. É que hoje eu tô pior que nos últimos dias. Aviso de antemão que não vou me matar. Não tenho isso em mente, acho que desistir dos sonhos quando era adolescente fez isso por mim, me matou. 

Em regra eu conversava muito sobre mim, e a felicidade era sobre coisas vagas e o que era profundo pouco era interessante. Quem quer trocar papo com um acumulador de problemas? 

Eu me sinto só, o que me deixa triste. Tem gente foda ao redor, mas não gosto de incomodar com coisas pequenas, afinal, todos temos problemas e a não ser que você pague, poucos ligam para eles de fato.

Era sobre mim todas as vezes que o personagem tava triste, e sobre querer superar tudo, era sobre o que eu sabia que nunca ia chegar. Espero episódios melhores que este. Até figurantes têm histórias além da ficção. A vida, seu jogo, e todo esse teatro que vivemos. Depois de tanto escrever, não consegui roteirizar nada aqui, e sigo pela sorte (ou azar).