"O pensamento deve ser tão livre e extenso quanto o céu, que não prende ninguém, e ainda dá espaço pra que se possa voar."


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sexta-feira, 10 de junho de 2016

"BOA ESPERANÇA" SÓ SE FAZ COM LUTA! [Emicida - Boa Esperança]

"Por mais que você corra irmã
Pra sua guerra, vão nem se lixar
Esse é o xis da questão
Já viu eles chorar pela cor do orixá?
E os camburão o que são?
Negreiros a re-traficar
Favela ainda é senzala, Jão
Bomba relógio prestes a estourar."



 Comecei com a poesia que forma esse curta metragem da vida real, mais uma vez o RAP trouxe a realidade à tona. A música "Boa Esperança" veio dar mais um tapa sem mão na sociedade, como "Nego Drama", "Um Homem na Estrada" e tantos outros RAP's. 

 Esse clipe tem como ideia mostrar um lado que sabemos existir, mas que muitos negam por puro comodismo. A exploração dos trabalhadores domésticos entre outros cargos de "menor" expressão para a sociedade é quase sempre vista como "comum" ou "caso isolado". As mortes sob causas suspeitas proporcionadas pela polícia país à fora é também citada nas entrelinhas dessa música, entre outras abordagens pertinentes feitas. Ouçam:




"O tempero do mar foi lágrima de preto, o sangue do derramado nas cidades brasileiras a cada 23 minutos também é. Por mais que você corra irmão, a nossa guerra pra eles, sempre será em vão. E sabe o xis da questão? Sua raiz, sua cor jogadas de lado, coisas do "inimigo", dizem sobre o seu orixá. Os camburão, ah, os o camburão... passam deixando um rastro de dor, perdas, lembranças tipo Auschwitz, "olha, morreu mais um, era pobre, olha lá". Favela sempre foi senzala, Jão! Uma bomba que estourou há tempos, uma ferida aberta, uma gangrena menosprezada pelo sistema, um incêndio difícil de se conter. Ainda somos tema da faculdade em que mal podemos pôr os pés, mas o tempo não é de se calar, mesmo com a repressão batendo, é o momento de revidar, reagir ao revés."
 - Webson A. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

As Razões de Um Louco #47 - Redefinições

 Já ganhei achando que perdi, horas horas que unidas se tornam dia, que se tornam meses, que se tornam anos... Anos, passam e a distância acaba sendo irrelevante, tanto que nunca foi diminuída, jamais foi aumentada, sempre estivesses próxima, mesmo com toda a distância. 

 Saudade, elevada à uma alto grau de desespero, todas as vezes que sonhei e tive que perder o momento por ter que acordar. Ou quando ouvimos aquelas músicas que são criptografadas com lembranças de um passado recente, tão presentes como as batidas aceleradas do coração.

 Amizade, todas as vezes que choramos (quase sempre eu), quando o mundo deu mostras que não seria tão simples sustentar com tanta alegria as dores que ele nos trás. Todas as vezes que resolvi deixar meu mundo de lado para segurar o seu. Como se nada mais bastasse para mim naquele instante, como se o essencial realmente fugisse aos olhos, o essencial era te fazer sorrir

 Palavras, sempre te faltaram quando eu escrevi pra você, mas entendo que essa é sua forma de me dizer o quanto ficou emocionada ao me ouvir dizer ou escrever aquilo. Palavras, são tantas que se confundem, são importantes e complexas quando temos que descrever as coisas importantes da vida. Inúteis e irrelevantes, quando temos que descrever pessoas indescritíveis, nenhuma palavra basta. 

 Emoção, lembrar te fazer dar gargalhadas loucas durante as ligações nas madrugadas. Da rima fácil que era feita quando nos ligávamos, aos sentimentos mais variados, e mesmo com o verso livre, era tão simples saber que estávamos nos descrevendo.

 Companheirismo, saber que podem passar meses sem que nós não nos falemos, quando eu falar, vou querer inutilmente ajudar a te fazer sair de qualquer "bad" que você tiver. Afastar aquela mesa chata, lavar a louça depois do nosso almoço, me fazer de bobo pra te fazer sorrir.

 Amor, sentimento ou ato de fazer todas as coisas além das possíveis para acrescentar algo de bom, um sorriso, uma felicidade, uma vitória ou qualquer outra coisa que faça aquela pessoa entender que essa é pessoa é muito importante. Alterar sua rotina por alguém, adaptar sua vida a vida de outra pessoa, e mesmo depois de tantas redefinições, ainda ver tantas coisas a serem redefinidas. 

 O quadro de lembranças têm novas imagens acrescentadas, criam-se novas playlists, novos olhares, novos abraços, novas histórias. E mesmo assim, apesar de tudo, nada será apagado. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A MAIS NOVA RECORDAÇÃO. [Emicida - Madagascar]


"Noites de Madagascar
Quantas estrelas vi ali
Em seu olharCoisa com as quais
Posso me acostumar facin'
Posso me acostumar facin'
Céu azul, verde mar
Pássaros, pássaros, pássaros a cantar
São coisas com as quais
Posso me acostumar 
facin'Posso me acostumar facin'"





Que tem um pouco de música nessa emoção do Emicida, ops, um "pouco" de emoção na música do Emicida todos nós sabemos. Ele acaba de soltar mais um vídeo-clipe de uma das faixas do seu mais recente álbum. 

 "Madagascar" traz um clipe tão leve quanto a própria música, mostrando a evolução musical do Emicida, que não deixou a essência do RAP, mas soube misturar outros ritmos ao seu som, tornando-o um dos melhores da atualidade.

Clipe oficial lançado hoje:



"Ela diz que trava, que fica com os dois pés lá atrás quando se trata de relação, mas que emoção é essa? Que não consegue ser levada por menos do que precisa ser. Por mais que não precisemos provar nem correr, nem sofrer por isso. Trago comigo uma vontade inexplicável de escrever poesias, mas ao mesmo tempo as rimas somem, são levadas pela imagem dos momentos que ainda nem vivi."  



sexta-feira, 27 de maio de 2016

As Razões de Um Louco #46 - COR-DE-PELE

 Hoje é, sexta-feira... e 16 anos atrás um menino tinha acabado de entrar em sua aula do Ensino Infantil. Bem tímido, falava com poucos coleguinhas e costumava se isolar na hora do recreio. Comia seu lanche quieto, sem mexer com ninguém, se balançava e conversava consigo mesmo.   Como toda a sexta-feira que se prese, além de ser o último dia de aula da semana, o horário da tarde era destinado apenas para jogos, desenhos, artes, correria, suor...  Estar sozinho sempre aguçava a sua criatividade, sempre teve facilidade em moldar coisas com massa de modelar (que tinha um cheiro entorpecente), também gostava de desenhar, nada muito relevante. 

 Naquela época ele curtia mesmo pintar, tinha um certo talento pra isso, sua percepção de cor era muito boa para uma criança da sua idade. Mas, quando ia pintar a pele dos desenhos humanos, a "cor-de-pele" não era bem aquela que representava as pessoas ao seu redor. E pior, só havia uma opção, todos os personagens dos seus contos imaginários eram iguais. 
 Durante muito tempo se sentiu inferiorizado de certa forma, pois pintar seus desenhos de marrom não "pegava" bem entre seus coleguinhas brancos.

 Tanto tempo depois, eis que uma empresa brasileira teve uma GIGANTE ideia; criar giz de cera com várias "cores-de-pele". 






























"Nas caixas de lápis de cor, não há muitas opções para tons de pele. As crianças ficam em dúvida e acabam colorindo o corpo das pessoas que desenham com bege ou rosa, claro, que são chamadas exatamente de “cor da pele” pelos alunos. Mas a pergunta que surge é: cor da pele de quem? E o marrom e o preto, não são cores de pele também?" >>Matéria completa<<



























quinta-feira, 26 de maio de 2016

As Razões de Um Louco #45 - Xodó

 Normalmente descrevo sentimentos com certa facilidade, mas dessa vez passei mais de 18 horas pra tentar descrever algo tão simples. O sentimento de uma menina tão adulta calou o velho moleque doido... 

"Bom... Se passaram dois anos e pouco (muito tempo para um mundo em que pessoas vêm e vão, pouquíssimo tempo para alguém que ama tanto outra pessoa com eu o amo). Desde que eu curti o máximo de publicações de uma página, que eu achei por acaso enquanto via aleatoriamente páginas em meu perfil no Facebook (para quem acredita em destino, certamente diria ser obra dele. Para quem acredita em acaso, diria ser o melhor de todos eles). 

 Naquele dia eu me apaixonei pelo responsável  publicações tão inteligentes e de bom gosto, e por textos tão emotivos... Eu nunca imaginei que a pessoa até então desconhecida viria a se tornar uma pessoa tão especial para mim. O garoto que me fez rir, o homem cheio de objetivos e sonhos. O garoto que me encanta, o homem que me disse ser viciado em sexo (rsss.. :3). O garoto que me deixa irritada, o homem que me dá broncas e conselhos. O garoto e homem que ficou na minha vida apesar de tudo. O garoto e homem que me dá inspiração para bons textos.

 O tempo passou, eu mudei, mas não deixei de te amar, de te querer bem, de te querer por perto, de querer estar presente na sua vida. Com você, com sua ajuda, eu amadureci, me tornei uma menina/mulher e descobri muitas coisas, sentimentos... Espero que tenha preguiça para ler o texto por ser grande kk, mas o que eu tenho que falar, e sempre tentei demonstrar (não sei se consegui), é que você é um cara muito especial, incrível, inteligente, amável e que pode passar o tempo que for, eu continuarei sendo o teu xodó

 Eu nunca precisei de datas especiais para te lembrar do amor e carinho que eu sinto por ti, e hoje um dia comum, eu tirei um tempo para demonstrar como AMO ter você em minha vida... Meu grande garoto, meu lindo. Tu és uma pessoa extremamente importante para mim... Amo você."


Vou me esforçar pra fazer algo parecido com tamanha homenagem...


"Bom.... se passaram dois anos e pouco (pouco tempo pra quem vai estar comigo pelo menos mais três vidas. Muito tempo pra quem sobreviveu tanto tempo a essa distância que mata a cada momento). Desde que notei que você curtia o máximo de publicações, segui me critério de amizades, escolhi pela aparente índole que você tinha, agora vejo o quanto acertei na escolha. 

 Naquele dia eu não tinha tanta ideia do que viria, seu jeito maduro desde tão novinha me fazia parecer um bobo (como até hoje pareço). Lembro de todas as vezes que eu tirei por menos teu ciúmes, lembrando que apenas quem nos ama permanece os nosso redor, como a terra e seu satélite natural, influenciando o tempo todo, como nas marés, você, nas minhas decisões mais importantes. A garota que me ensina, a mulher que ainda aprende. A garota que busca seus sonhos, esteve presente nos meus. A garota que sorrir com minha besteiras, chorou com as minhas dores. A garota/mulher que está tão distante de mim, consegue estar sempre próxima que todas as pessoas.

 O tempo passou... Passou? Você ainda é tão menina e tão adulta ao mesmo tempo, como num flash, piscamos e aqui estamos. Essa estação da vida é determinante como todas as outras, conviver com o furacão emocional que eu sou.

 Eu nunca precisei de datas pra escrever, eu precisei sempre de inspiração, e depois de tudo que li, fiquei sem saber o que escrever diante de tantas verdades. Uma menina que ama tão sem medo, uma sábia que sabe que o amor é tão importante quanto a própria vida. Se quem marca a vida de um escritor se torna imortal, imagina quem ainda por cima tem o amor? Dentre as dúvidas da vida, tenho a data em que vamos nos abraçar pela primeira vez, entre as certezas, tenho que você sempre será meu xodó. Amo você." 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

As Razões de Um Louco #44 - Passarinho

 Passamos a vida toda recolhendo experiências para...? Certo, não se sabe quantas esquinas cruzaremos para achar algum sentido pra isso tudo, aí que se encaixa aquele ditado: "se você parar pra pensar na vida, você deixa de viver", e se pensar dessa forma mais sonhamos do que vivemos. 

 "Persegui a vida toda "a mão", o transbordar, a poesia continua, a força na queda, e todas aqueles poesias complexas de Carlos Drummond de Andrade, que quando eu era adolescente eu tinha que procurar um dicionário para entender que ele tava falando o quanto amava aquela mulher. 

 Diferente do anterior, esse não terá tantas rimas, mas tanta ou mais inspiração, vinda de uma fonte de luz e luta, de resistência sobre os desamores da vida e sem querer criar abstinência. Se imagina o quão complicado é jogar sobre alguém o fardo do nosso bem estar, sendo que isso somos nós que temos que buscar. 



 Sobre nós, cabe um abismo de diferenças, e os dois num reflexo só. Dois copos cheios  prontos transbordarem, nada de completar não, somos inteiros, com defeitos e qualidade enormes, dignas dos mais belos versos já feitos. 

 Merecedora do premio de maior surpresa do ano, como um sonho real, um passarinho delicado, raro e com um canto jamais visto pelas bandas da Zona Norte. Empunhava causas, bandeiras de luta e uma opinião na ponta da língua, tão feminina como qualquer outra mulher, mas diferente na base da sua essência, a ponto de me fazer reler e reescrever várias vezes os motivos que fizeram querer ficar. Tanto que me faz observar fixamente sem reagir, o receio de assustar o "passarinho" é grande, não que eu quisesse coloca-lo numa gaiola, queria voar ao lado, apenas, sem tanta necessidade de um ninho. 

Não sofri tanto esses dias, não há muito o que chorar na sua presença, não houve saudade, nem receios, nem compromissos que me fizessem querer algo. Como um marco, o passado se tornou algo pra se tirar lições, não pra se reproduzir. O futuro, abstrato, sem tanta pressa pra começar a existir.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

As Razões de Um Louco #43 - Pernambucana


Menina menina, se tu soubesse da metade... 
Dessa sina estranha, quem sabe até louca, quem sabe?
Sabemos mesmo o que se passa agora, 
E nem sempre somos donos do tempo, e agora? 
Agora tenho que ir, espero voltar um dia pra vida, lá fora. 
Fora do mundo em que me aprisionaste
Foi como um trator, mas não pisastes 
Meu coração ainda é meu
Mas pode ser seu
Isso talvez seja um desastre.

Menina menina, se tu soubesse do passado... 
Dá carga que trago
Do peito, amargo 
O cigarro, não, não trago
Olhar longe
Coração apertado 
Nem sempre poesias lhe mostro
Mas sorrisos diários, aposto!
Aposto também
Que no mundo há poucas, ou ninguém
Com sua guerra, sua paz, sua luz? NINGUÉM!

Ah
Não posso esquecer de citar
Hoje estava com ela a falar
Sobre a vida, sobre as dores
Sobre a dificuldade que tinha hoje, de rimar. 
Mas não esqueci dos seus olhos
Da sua forma de falar
Ela é "bela, revolucionária e da luta"
Como não havia de me encantar?
Só te faço mais um pedido:
Pernambucana, não esqueça de me bagunçar. 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Wesley D'Amico, O grande artista das telas minúsculas




Wesley D’Amico, artista plástico desde 2004, vem transformando e renovando, escultura, tela e miniatura. Sendo reconhecido pelo Rank Brasileiro em seus menores quadros, sendo a menor bandeira brasileira medindo 1,7 décimos de milímetro, menos que dois riscos de uma régua, e o maior tem 10 milímetros. Você vai se surpreender com as reportagens:



EPTV


Jornal ensaio de Piracicaba

                                          


Suas esculturas de resina vem sendo revolucionária na abstração, com figuras geométricas feitas em madeira e depois transformada em resina fica uma peça única, transformou em gelo o que poderia existir para sempre, mas vejo o que aconteceu.


                                      






























































































Suas telas são coloridas, com desenhos abstratos tem o Maximo de arte conceitual e revolucionário, usando o fogo para garantir que suas peças sejam únicas. Vai se surpreender com os vídeos.





D’Amico tem que se esforçar muito para se renovar sempre, pois o mercado de arte é exigente, buscando seu espaço no mundo, garante suas reportagem no Google e exposições pela região. Nascido em São Bernardo do Campo, e com 37 Ano espera envelhecer com a cor das artes que produz.

Mais imagens:



















terça-feira, 10 de maio de 2016

COLONIZAÇÃO - UM OUTRO NOME PARA INVASÃO



 Eu passei minha infância inteira ouvindo que Pedro Alvares Cabral e sua trupe do barulho, chegou e descobriu o Brasil. Assim mesmo mesmo DESCOBRIU. Logo depois, surgiram outras teorias sobre o assunto, como a de que um espanhol, Vincente Pinzon, tinha feito isso antes DESCOBERTO o Brasil antes, diferente de Pedro, que chegou em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Boatos "afirmam" que Vincente chegou pouco antes, no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. 

 Com o passar do tempo, criou-se a ideia de que de fato não tem como descobrir um lugar com uma civilização organizada, constituída de hierarquia e com milhões de pessoas vivendo em torno de sua logística. Quando estive em Portugal, por volta dos meus dez anos de idade, já entendia um pouco sobre, mas uma das minhas professoras lá custava em passar isso na nossa cara: "fomos nós que descobrimos o Brasil." Nunca tradução ao pé da letra, eles vieram primeiro para invadir e impor suas regras para os nativos, não tendo tanto êxito (pois os nativos se recusaram a serem escravos em sua maioria), eles trouxeram os seres humanos escravizados dos países da África. Logo depois veio parte da corte real portuguesa, com medo das tropas de Napoleão. Chegaram, trouxeram seus costumes, ofereceram "presentes", impuseram sua religião, e criaram uma sociedade oposta da que já existia no Brasil antes de sua chegada. 

 Séculos depois, a demarcação de terras indígenas ainda causa revolta em muitas pessoas, mas se você parar pra pensar, eles sempre estiveram aqui, e estão cada vez mais sendo massacrados pela cultura que foram obrigados a conviver. "Dia do Índio" "Museu do Índio", são retratos das perdas dos nativos.

 Não sou professor de história, não entendo ao pé da letra o que se passou, mas esse vídeo sátiro do Porta dos Fundos é bem explicativo (de uma forma "engraçada"). Uma crítica muito bem feita, e que provavelmente vai lhe fazer ir pesquisar mais sobre o assunto: 




domingo, 8 de maio de 2016

MAINHA - [Emicida - Mãe]



 Nossas mãos, ainda não, Sempre encaixaram certo... Não sabemos bem o dia que o Emicida resolveu escrever essa letra, nem quais elementos ele absorveu para escrever, mas é fato que as rimas rápidas e as palavras complexas as vezes utilizadas surtiram um efeito devastador (num bom sentido). O menino que passou fome enquanto fazia seus primeiros RAP's, tinha amadurecido bastante musicalmente, e nos presenteou com essa música maravilhosa "Mãe". 

 Como meu "pernambuquês" é muito latente, a tradução da música para minha língua é "Mainha", e como ele eu me pergunto; moça, de onde cê tirava força? Quando a comida era pouca, a família era grande e quase todos passavam por algum tipo de necessidade, e a casa da minha vô era a extensão da nossa, por falta do que comer. Desde cedo perseguia um sonho que agora foi deixado de lado, mudei de ideia ao longo dos anos, talvez alguns sonhos tenham prazo de validade, ficou apenas o sonho de vencer pela senhora, mainha. 

 Como nos outros textos, descrevi o amor que só foi escrito uma vez, bem longe da "era digital", quando ela disse assim; "Que Deus abençoe você sempre, meu filho. Eu te amo." Tava escrito ali, naquele cartão de natal. Tinha uns 6 anos de idade, mas até hoje lembro daquele momento, como de todos os outros em que ela brigou por mim e pela minha sobrevivência, sem me abandonar em nenhum momento. 

 Eu não achei na minha caligrafia sua letra, mas sempre escrevo as lágrimas molham as canetas... "Descreve o efeito dela, breve, intenso, imenso, a ponto de agradecer até os defeitos dela..."






"Desafia, vai dar mó treta quando eu disser que vi Deus
 ele era uma mulher preta." 
- Emicida