"O pensamento deve ser tão livre e extenso quanto o céu, que não prende ninguém, e ainda dá espaço pra que se possa voar."


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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

As Razões de Um Louco #96 - Tempero

 É muito difícil largar o passado quando ele é agradável, e o que passou traz menos coisas contra mim do que o que pode ser daqui em diante. Lembrar que eu superei tantas dificuldades gera mais motivação que dor. Lembrar da minha vó, com carinho, laranjas e fim de tarde. Antes da poesia, das dúvidas, dívidas e boletos me faz bem. Minha tia e nossas risadas, amigos e os sonhos do futuro que chegou sem alguns deles, mas chegou e estamos aí, estou "bem".

 É difícil amadurecer quando ser jovem é mais legal, menos pesado, menos depressivo "as vezes". E a medida que vamos tendo repetidos processos de coisas boas, elas ficam chatas, entediantes e a vida vai perdendo o brilho, restando o passado como refúgio emocional.

Ouvindo música para refrescar a mente em uma playlist onde há músicas para relembrar, e há saudade de quando o corpo acusava menos as dores. Apesar de tudo, saudades. Percebi que ser adulto é complicado demais quando a comida ainda tem o mesmo sabor da infância, a culpa é de mainha! O sonho de sair dali quando novo, agora parece pequeno, diante da vontade de voltar para casa, todos os dias. O futuro pode ser uma caixa de surpresas, uma monotonia. Bom ou ruim. O passado eu lido bem, saudades... E sobre o que passou, está tudo bem, entre lágrimas e sorrisos, bem.

 Existe dois momentos que não se deve sofrer; pelo que já passou e pelo que ainda nem sabemos se vai chegar. Sobre ser imaturo; é tudo culpa do tempero de mainha.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

HOT



Queimava igual a mente, ardia igual a dor
Batia forte igual o mar na costa,
Era firme,
Nesse filme, eu era vilão,
protagonista e diretor.

Ardia, mas era unhas na pele,
junção de prazeres e traumas.
O olhar, brisa calma.
Nas mãos, maremoto.

É hoje que eu mato a vontade,
depois de fazer tremer,
eu posso até morrer.
E se a saudade bater,
que todas as marcas sejam gostosas, gozadas,
pouco pensadas,
impulso.

Que queime igual o sol, no seu corpo, minhas mãos nele.
Que queime igual as lembranças ruins, na mente.
Fogo que aumenta a libido,
e que a parte mais down disso,
seja eu de joelhos orando,
me banhe com seu prazer,
é isto.

Continuo pegando referências que não vivi,
Dois olhares,
dois lugares,
duas ou mais fodas,
e vai arrepiar e queimar.
Fogo!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

16 DE SETEMBRO



Dores e descaso, 
década de 90 e nem sabia se era menino ou menina,
era humano!
Vinte e oito anos depois era menino, mano.
Lila lavava roupa comigo na barriga,
sonhava com a minha barriga cheia quando criança,
falava sobre ser preto, as dificuldades.
Dizia que não andasse com quem tem arma,
sobre estar abaixo de tudo, e ser o melhor que puder, esforço.
Me colocou acima e mesmo estando lá, 
pouco me senti no fundo poço.

Me armei de ideias desde sempre,
conversando com amigos imaginários e treinando situações.
Era eu, meu mundo eu, herói e seus vilões.
Desenhava, pintava, escrevia e sonhava...
Em ser 10, camisa 10! 
Era preto e tinha ódio por estar fora dos padrões,
fazia de tudo pra melhorar, e era tudo errado (ou parecia).
As vezes bate saudades dos conselhos de Maria...

As vezes a vida bate,
as vezes a vida imita a arte,
irrita a morte.
Enlouquece e sobre loucura entendo bem,
o homem supostamente foi à lua,
eu em várias brisas, 
várias loucuras,
a vida batia sempre e eu perdia em curvas.
Caía em linha reta,
mudei pouco de direção,
vaguei por aí,
quis morar em várias bundas...
Enquanto sorrisos moravam na minha mente.

Eu voltei para casa, nem todos os dias, fisicamente.
Mas voltei, mainha, voltei.
Escrevia sobre o que parecia não me importar,
e adorei andar na linha entre a noção e insensatez.

Achei que o "auge" tinha chegado várias vezes,
percebi que ia ser cobrado por ser eu,
e ser eu era consequência, mais do que vivi...
De onde tiraram que a depressão que eu brigo é tranquila?
Tinha gente aqui por mim, sim!
Mas quando nem eu me suportava, cobrava,
e quando me contestava e todos se foram,
eu não quis estar só, estive.
Era eu e os demônios que me fizeram ali.

Vinte e tantos anos,
eu fui mediano como a maioria é, e isso já não me dói.
Vice de tudo, coadjuvante de mim,
personalidade forte, chato, defina-se assim.
Errei em muito, acertei as vezes,
Vi que na vida, a maioria dos sonhos não se alcança,
a vida dar prazeres, mas também te cansa.
Eu vi que ser adulto é apanhar da vida,
e querer voltar a ser criança.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Morte - Aleatório Necessário #5


 Eu não tenho medo das coisas que posso evitar, mas sim, do inevitável. Eu poderia evitar as coisas que disse, mas disse e por mais que tenha sido ríspido, grosso e irresponsável em tantas vezes, ser humano me dá a liberdade de errar até aprender e ser melhor. Eu disse.

 Ser criança é curioso demais. Ou pelo menos foi, pra mim. Eu passei por coisas que agora vejo que eram difíceis. E era uma criança, apesar de tudo, feliz. Meus traumas bateram agora, depois de começar a entender que tinha todo um processo antes da comida chegar em casa, e lembro que comecei a ter medo do futuro. Parecia que todas as fichas em ser jogador poderia dar errado, sabe.

 Mal sabia o que o futuro reservava a mim. Quando criança, tinha medo da morte. Me vendiam o inferno como opção, pois todas as coisas que levavam ao céu parecia tão longe de mim. Adolescente, perdi minha vó, e tive que noticiar minha mãe sobre, acho que ainda não entendia bem o que era tudo aquilo, e eu tinha perdido um bom colo para as minhas dores. 

 Daí em diante eu entendi que meu medo continuava sendo a morte, dos outros. Vivendo um paradoxo sobre o que viemos fazer aqui, o que essas pessoas realmente são e por que eu sofro tanto se elas estiverem mal? Eu vi meu pai chorar no enterro da minha tia, e notei que ali era dor e eu não podia fazer nada. E eu queria nunca mais passar por aquilo. Nunca!

 Mas e se eu for? As pessoas também vão passar por aquilo. Voltando ao paradoxo de viver para não deixar ninguém triste ou morrer para não ficar triste com a partida de ninguém. Acho que acreditam no depois por isso. Por não aceitarem que tudo acabou e fim. Que não tem ninguém olhando por você e que as lembranças vão se esvaindo como em todo ciclo.

 Eu queria descansar disso tudo, mas não tem muito a ver com morrer. A morte não tem volta, vai ver que eu não quero saber que minha mãe vai sofrer, as pessoas que supostamente me amam chorarem dizendo que eu sou eterno, sendo que eles são, nem o sol é.

 Dizem que o velório é para os vivos. Para eles pedirem desculpas e lamentarem o que não disseram. No devaneio da dor, real. A gente conversa com quem não vai mais nos ouvir, e lamenta ter errado tanto. Mas está tudo bem. Ainda é reservado o direito de ser humano, errar. Ninguém quer morrer. Apenas queremos descansar.
 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

NEM DE HUMANAS, NEM DE EXATAS; SOU DE NADA



De humanas, frio igual robô.
Andei fazendo contas,
Sobre mim, a quantas ando.
O quanto andei,
feri e bati.
De cara na dos outros,
de cara na porta,
sobre física quântica,
entendi zero sobre.
Essa conta ainda não fechou.

Contei os dias de fome,
as músicas no fone.
Achei que ia ser foguete,
camisa 10 da minha área...
Cheguei aqui onde não sei, lamente...
Caí, e nem marcaram o pênalti.
Escrevi e nem leram,
nem eu me li.
Eu chorei e pouco importou,
"para de chorar e vai, menino".
Não era nada de novo,
até Jesus chorou.

Subtraí as coisas ruins, que foram boas,
mas, hoje são ruins.
E as boas, sem querer, se foram.
Somando tudo, talvez tenha ganho algo.
Dividi sonhos, lençóis, alegrias...
distribuí corações partidos, sem querer.
Efeito colateral,
Multiplico sorrisos, eles são meus,
seus, por isso somem de mim, enfim.

Fiz de conta que não doía,
fizeram de conta que entendiam,
fiz as contas e vi que tudo isso não cabia,
falei de amores, sabores, dores
e flores.
Escrevi de cima, como se fosse bom nisso,
mas vi que não era bom em exatas.
Exatamente falando, nem liam o que eu escrevia,
percebi que sou menos o humano do que podia,
pensei menos em mim,
pensei poesia e sexo todo dia.
Nem de humanas, nem exatas,
escrevi sobre o que queria,
mas, nem disso eu entendia.


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

MAIS UM TEXTO DESNECESSÁRIO



Eu falei de amor, amizade.
Escrevi da importância de cuidar das pessoas,
vivi sonhos,
e busquei respostas para as cores do céu.
Já fui juiz, advogado do diabo, o próprio.
Quando tudo queimava e eu queria paz,
eu fui réu.

Falei sobre estar só, e querer estar em algo.
Ser parte de alguma coisa e viver dentro de mim, apenas isso.
Jogos em que eu vencia e queria provar que era bom,
enquanto era vilão num universo qualquer.

Vivi o amor, era flor que se deve regar.
Vivi a angustia de não saber se ia comer,
até escrevi sobre e isso hoje não me interessa.
Dizem que a necessidade muda quando estamos alimentado.
Vivi a dor de não viver,
a corpo acusa a corrida da vida,
um jovem adulto cheio de mágoa e pressa.

Pra não dizer que eu não falei do ódio,
digo; vou falar.
O mundo bate todos os dias,
igual a fome que bate em tanta gente.
Igual a gente esquece que é gente.
Querendo esconder nossos problemas com o mundo,
e o mundo dando respostas, cada vez mais louco,
acusando nas queimadas,
e nas mortes dos animais,
a dor que sente.

Talvez meu ódio seja igual ao do mundo, normal.
Mais um humano aqui, depressivo, normal.
A dor do mundo choca até a próxima página, habitual.
Falei de grana, fama, gama e quis ser louco,
pra não ter culpa de fazer tão pouco.

Falei de ódio enquanto nos matamos,
matamos o futuro,
matamos o amor,
criamos dor.
Em falas, atos e balas,
todos os dias recriamos o terror.

Tinha uma lista de sonhos para realizar antes de morrer,
tudo envolvia planos, sonhos, amor.
Hoje eu só queria;
duas semanas de praia, sexo e morrer, descansar.
A lista agora é ódio, real. Ódio.
A poesia é necessária até quando não deve ser seguida,
aquela que fala sobre o começo é importante.
Mas necessária é aquela que fala sobre como se é a vida.


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Sucesso - Aleatório Necessário #5




 Sabe o que é sucesso? É reunir o maior número de coisas que disseram que teríamos que conquistar, ou então seremos fracassados socialmente. Pensando assim, a meritocracia nada mais é do que degraus onde alguns nascem bem acima, e outros nascem no fundo do poço. Bom, eu nasci bem no fundo poço, mas não sou nada além de uma fagulha dentro da maioria.

 Sucesso era não ser preto. Logo depois, odiar o padrão por ele não ser preto. Sucesso era quando meu pai me levava ao campo nos sábados, e minha mãe estava em paz, pois tinha água e comida em casa. Parece bem anormal, mas era assim. Eu criança, entendia que o sucesso era ter o mínimo para se sobreviver.

 Sucesso era ser o melhor quando pudesse ser o melhor, pois antes dos Racionais, mainha me falou o que a mãe de Mano Brown disse; "por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor. Eu nunca entendi por que eu era feio, e outros amigos pretos eram feios. Era de fato pelo padrão não ser nosso, o nosso cabelo era ruim, e "macaco" era só apelido de escola.

 Sucesso era ter sucesso com as garotas, ostentar um celular e alisar o cabelo uma vez por mês. Saber que era o melhor esportista do bairro, querer ser o melhor do mundo. Me colocar acima das dificuldades de ser adolescente e ser cobrado como homem. Pode vira adulto quando o pai sai de casa. Rico é chamado de menino na saída da delegacia, depois de beber e matar alguém no trânsito.

 Sucesso é ter diploma, pós, mestrado, montar empresa e ostentar. Falar que todos conseguem dentro de uma banheira na Europa. Trabalhei quando eles dormiam, e a única coisa que ganhei foram dores no corpo, saúde prejudicada e ódio disso tudo. O romance entre a dor e a conquista mata vários e premia igual a mega-sena, as vezes, e nem sempre sabemos se o prêmio foi real.

Sucesso é ter dinheiro, e quanto mais dinheiro você tiver, mais vão lhe associar ao sucesso. Fim. Espero que você não dependa dessa régua para medir sua felicidade, pois o mundo vai sempre lhe condicionar a isso. E para eles, sucesso é ter carro e viajar. Mestrado que nunca será usado e a quantidade de roupa de marca que você tem.

Para mim, sucesso é todos os dias ter almoço, ver as pessoas que amo bem e sem depender de amarras para ser feliz. Enquanto o sucesso for medido pelo acúmulo de bens, não estaremos bem e vamos sofrer pela ausência das coisas que nos ensinaram que eram tão importantes quanto planos menos mirabolantes.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

POESIA NÃO




Poesia não!
Não dessa vez
Olha tarde caindo, 
a noite chegando...

Dessa vez
Não quero pagar tristeza pr'ocês.
Poesia não,
hoje, não!

São lindas, sei.
Não são em vão...
Talvez.

Sei lá, nem sei.
Poesia não!

Não escrita
Não falada
Nem tampouco,
demonstrada.

No olhar
No toque
Calada.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

AmarElo, a visão de Emicida e a força dessa mensagem

Créditos na imagem


 Esse ano eu não morro! Nem nunca (talvez). Dizem que o legado de alguém que escreve é eterno, então... A minha "obra" pode não ser das mais relevantes da história da humanidade, longe disso. Mas quem somos se não uma enorme obra na vida das pessoas que nos amam? Enormes! Em determinados momentos da vida eu escrevi sobre uma pessoa depressiva, que morria o tempo inteiro e estava aqui, no limbo e respirando no automático. Antes eu morri, mas esse ano eu não morro!

 Temos problemas individuais, dores que cada um sente no seu íntimo, o peso das responsabilidades, as contas que chegam e parece que você vai ter que desistir da sua dignidade para sustentar sua vida. Problemas tão comuns à todos, dores individuais.

 "Ninguém solta a mão de ninguém" não era apenas uma frase, uma fase. Os problemas vão estar aqui, e o ano passado lutei, no passado morri. Mas esse ano eu não morro! "Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes".

 Mas, Emicida, permita que eu fale,  que não me definam pelas cicatrizes, mas que elas estejam aqui, para que eu saiba que elas são meu rastro e eu vou apagar a cada dia. Belchior, ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro!

 Ouvi essa música em loop, Emicida e sua vasta visão musical trouxeram Belchior, Majur e Pabllo Vittar para cantar um belo hino de resistência. Hoje, tem o reconhecimento de muitas pessoas, mas sabe aquelas músicas que sabemos que ficará para sempre como resistência sobre nossos traumas e nossa volta por cima, igual Raul Seixas e "Tente outra vez". Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

TUDO BEM



Tudo bem...

Se os sonhos se realizarem,
tudo bem.
Se não for tão bom assim,
tudo bem.
Se eu fizer de tudo e não chegar,
tudo bem.
E se for espetacular,
está ótimo.
Mas caso seja normal, bom,
está tudo bem.

Se a dor for grande, insuportável.
Está difícil, mas vai passar,
tudo bem...

Se o reinado for fantasia,
se a vida for apenas alegoria.
Menos do que você queria,
mais pra menos do que deveria,
tudo bem.

Se o amor não durar e foi real,
flores têm seu tempo, não é?
Se parece o fim de tudo,
você quer o mundo,
e não tem nem o que comer.
E a terra quer te comer,
e você quer comer... enfim.

Se as letras não pagarem as contas,
tudo bem.
Se não me lerem, nem entenderem,
tudo bem.
Se a vida for um ciclo difícil demais pra mim.
Se eu for fraco e quiser colo.
Se o mundo caí enquanto eu choro.
Se o porém massacrar minha mente.
Se não for mais "nós" daqui pra frente.
A flor existiu, linda, forte, imortal...
...Está tudo bem